RETRO REVIEW | God of War: O nascimento da franquia mais violenta e vingativa da Sony

O ano de 2005 foi quando a Sony deu a luz sua franquia exclusiva de maior sucesso, God of War, um invocado e visceral hack’n slash que surgiu sem grande alarde, e que se tornou junto de seus sucessores um verdadeiro colecionador de prêmios “Game of the Year” em diversas mídias especializadas. Em God of War a premissa era simples: assumíamos o papel de Kratos, um guerreiro brutal e selvagem que servia a vontade dos deuses gregos e que recebeu dos mesmos sua ultima missão… …matar um Deus.

O game é um hack’n slash e, terceira pessoa com diversos elementos típicos do gênero e  que já friso não serem nada originais em God of War, sendo estes oriundos de demais jogos do gênero, o que leva muita gente que “procura pelo e ovo” usar isso para apontar como defeito em GoW, afinal o game possui sistema ação recheada de Quick Time Events como de outros games do gênero, sistemas de combos como de um Devil May Cry (sem a mecânica do estilo), sistema de upgrade de armas como o de Onimusha e, como algumas pessoas apontam, puzzles a la ICO (embora eu não aponte o mesmo), mais friso mais ainda que essa macarronada de elementos foi muito bem colocada e executada no jogo!

O que a jogabilidade de God of War falta em originalidade ela tem em excesso na execução.

Ambientada nos tempos mitológicos gregos com uma trama  contada de forma não linear por meio do gameplay com diversas cutscenes que remontam a flashbacks de Kratos, o jogo nos coloca na pele do mesmo, se jogando de um penhasco para morte certa no presente, e por flashbacks inicia sua jornada no mar Egeu, servindo os deuses gregos por 10 anos sem questionar o mesmo enfrenta a pedido de Poseidon, o senhor dos mares a besta de varias cabeças chamada Hydra que aterroriza seus mares, em uma batalha introdutória marcada como uma das mais impressivas introdução dos games e uma das lutas favoritas dos fãs da saga. No controle de Kratos o jogador pode atacar os inimigos com suas famosas Laminas do Caos, um par de laminar acorrentadas aos pulsos de Kratos que são utilizadas em combos frenéticos e viscerais pelo jogador que parece fazer um show giratório e pirotécnico com uma extrema facilidade, a batalha contra a tal Hydra já nos mostra um pouco de sua famosa violência e de seu mais famoso ainda Quick Time Events, cutscenes interativas com comandos pressionados contra inimigos que dão volume cinematográfico as batalhas.

O controle do jogo é ótimo, embora os atrase em alguns segundos a resposta com o sistema de combos e poderes de Kratos, incluindo varias habilidades de defesa e esquiva que transformam o personagem em uma arma letal na mão de um jogador mais habilidoso.

Flashbacks e cutscenes a parte nos revelam um pouco mais de nosso protagonista de moralidade totalmente questionável pra não dizer ambígua, servindo aos deuses sem questionar por uma década o mesmo exige dos mesmos que cumpram sua promessa de lhe apagar uma tortuosa memória de seu passado, mas antes, Atena lhe da uma ultima missão a pedido dos deuses do Olimpo, matar seu meio irmão, Ares que insiste em desafiar a vontade dos deuses, como o confronto direto entre deuses proibidos Ares resolve atacar Atenas, cidade de sua irmã Atena que da a Kratos a missão de parar Ares, ato que ele, um homem treinado por um Deus é o único a altura das circunstancias capaz de fazer isso, para tal feito, Kratos deve recuperar a lendária Caixa de Pandora. É necessário citar o quanto é impressiva a qualidade da trama de GoW, nada complexa, e nada que soe como algo novo (ela até tem uma carga de cliche), mas sua apresentação e execução leitor, e sem duvida uma das melhores dos tempos do PS2. Ao longo da jornada de Kratos que tem realmente aquela grandeza exagerada de contos gregos, que o personagem, uma vez um jovem e ambicioso general de um exercito de Esparta jurou servidão a Ares para poder salvar sua própria vida, as circunstancias de tal serventia custaram a Kratos mais do que sua vida com uma tragédia acometida por ele mesmo, e que colocou Kratos com sede de vingança contra Ares e a serviço dos deuses do Olimpo para apagar as memorias de seu ato hediondo (no spoilers over here :x).

Se os elementos já mencionados da jogatina são clichês, o mesmo não se pode dizer de Kratos, provavelmente o maior anti-heroi dos games, o mesmo segue em sua jornada por motivações egoístas, não pelos outros ou para tornar o mundo melhor, e ele se mantem sua integridade corrupta até o fim de sua jornada.

Como mencionado os combates do game mesclam elementos já presentes em outros jogos, combos, sistemas de upgrades e QTE, as Armas principais de Kratos, as Laminas do Caos ficam mais poderosas ao serem evoluídas e ganham novos golpes e combos, alem das mesmas, Kratos recebe outros poderes ao longo de sua missão como a Fúria de Zeus que lhe permite atirar raios pelas mãos, a Fúria de Poseidon que invoca uma tempestade de trovões para acertar múltiplos alvos, o Exército de Hades que invoca espectros do submundo para auxiliar no combate, e outras armas como a Lamina de Artemis, que é uma segunda arma mais poderosa e lenta e a Cabeça da Medusa que permite ao jogador petrificar seus alvos para dar um insta-kill. Os combates alias são difíceis e desafiantes, e necessitam que o jogador domine bem os poderes e os evolua da forma certa para tolerar os desafios do game que não é nada fácil.

Outro poder muito bem vindo é a Fúria dos Deuses, um modo de fúria do game, como o Devil Trigger de DMC e o Oni Awakening de Onimusha. 

Os combates, como mencionado, são viscerais e grotescos, mas entra um mérito a mais ai, ele não soa forçado por mais exagerado que aparente, a violência em GoW é muita coisa, mas não é gratuita. Dentre o diverso panteão de inimigos baseados obviamente na rica cultura grega temos minotauros, cérbero, sirenas, górgonas, ciclopes e harpias, que dificultam o caminho do raivoso espartano que podem ser finalizados pelo jogador de forma brutal dependendo de suas ações, alem de é claro os chefes, que são dono de batalhas impressionantes e que mesmo hoje alguns jogos não conseguem superar, uma pena só ter 3 chefes incluindo a Hidra do começo do jogo. A qualidade visual do jogo é uma das maiores do PS2 e na época de sua geração inteira, os cenários são gigantescos e se destacam tanto principalmente pelos puzzles, que são esteticamente a segunda melhor coisa do jogo depois de sua história, tais enigmas mesclam cenário e jogatina com aquela cara de desafio tirado dos exagerados contos gregos, como caçar 3 sirenas no vasto Deserto das Almas Perdidas para chegar até o gigantesco Templo de Pandora, o núcleo mais volumoso do jogo e onde se encontram as maiores armadilhas e puzzles do game.

Alem dos poucos chefes outro ponto comum de critica é a câmera (sempre ela), embora ela siga automaticamente atras de Kratos não ha como controlá-la, e as vezes a briga avança para cantos onde o jogador luta praticamente as cegas por não ver o inimigo.

O visual não é grandioso apenas nos cenários gigantescos e na violência da coisa, nudismo, um tabu gamístico dificilmente quebrado mesmo hoje era comum e até banal no jogo, e não o digo pra ficar como um tarado elogiando peitos aqui e ali, mas pra mencionar o fato disso se estender até as górgonas do game, que possuem seios a mostra para deixar o universo do game com aquela cara mais crua e bestial da mitologia. A trilha sonora também se salva com seus temas fortes, orquestras que casam bem com cenário, ação , violência e personagem do jogo, e que são facilmente reconhecidas por quem já jogou o game, a dublagem também é digna de elogio, claro, ha vozes e dublagens ótimas por toda parte, mas nenhuma se destaca tanto quanto a de Kratos, dublado por Terrence C. Carson que da ao personagem uma voz na medida exata da brutalidade do mesmo, pena o mesmo ter saído da saga recentemente.

God of War como jogo e como franquia marcou os games para sempre, não é a toa que o mesmo é um dos melhores títulos do console e da história.

PRÓS: Narrativa, protagonista, qualidade gráfica e combates que fazem bom uso de diversos elementos do gênero.

CONTRAS: Poucos chefes e determinados momentos em que a câmera não ajuda

God of War

Desenvolvedor: SCE Santa Monica Studio

Publicadora: Sony Computer Entertainment

Lançamento: 2005

Plataforma: PS2, PS3 e PSVita

Gênero: Ação-Aventura / Hack and Slash

NOTA FINAL: 9,5

Esse texto foi originalmente publicado no site Alvanista no perfil thecriticgames 

Fonte das imagens:
http://godofwar.wikia.com/wiki/God_of_War
https://www.playstation.com/en-us/games/god-of-war-ps2/

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Post Author: O Critico

Aspirante a escritor, investidor e criador de gado. ​"Minha vida se resume a jogar tudo que existe de bom antes da morte..." Me procure no Alvanista http://alvanista.com/thecriticgames

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