Retro Review | Resident Evil em seu ápice no Playstation

Resident Evil é sem duvida um dos nomes, junto de Final Fantasy, Crash Bandicoot e outros que ajudaram a turbinar as vendas e a fama do primeiro console da Sony. A série teve seu inicio primoroso aqui com uma trilogia (e um spin-off em primeira pessoa) tida por alguns como a melhor época de Resident Evil, e enquanto o melhor episódio dessa trilogia é cabivelmente questionável entre o 2 e 3, este ultimo é de fato o mais popular dos episódios da série e você descobrirá o porque. Desenvolvido simultaneamente com Resident Evil 2, o titulo que inicialmente estava sendo concebido como um spin-off da saga acabou por ganhar maior visibilidade dentro dos projetos se tornando o terceiro game da série (algo originalmente tido para Code Veronica que funciona como uma sequencia direta do 2), ocorrendo 2 dias antes do inicio de Resident Evil 2 e um dia após o mesmo, acompanhávamos dessa vez os esforços de Jill Valentine, uma das heroínas do primeiro game que retorna sobrevivendo ao pesadelo que se abateu sobre Racoon City com a invasão de zumbis após o surto causado por William Birkin no jogo anterior.

Após os eventos do primeiro jogo, os sobreviventes do evento (Jill, Barry, Chris, Rebecca e Brad) que pertenciam a S.T.A.R.S realizaram um apelo para uma investigação completa da Umbrella, mas o chefe de policia Brian Irons, visto no segundo game se mostrou um corrupto comprado pela Umbrella que abafou o caso (com auxilio do covarde Brad Vickers que colaborou com seu depoimento adulterado acerca dos eventos da mansão para salvar a própria pele), sem maiores opções parte do grupo resolveu organizar suas coisas para seguir rumo à Europa, onde o conglomerado da Umbrella tinha sua base de fato, com Chris sendo o primeiro a seguir para la. Jill, antes de ir realizava suas últimas investigações envolvendo a Umbrella de Racoon City quando o evento visto no segundo game envolvendo William e a infecção de parte do reservatório de água por ratos infectados com o G vírus se desencadeou o que gerou a morte de milhões, seja por infecção ou por serem devorados pelos infectados. A polícia de Racoon City organizou uma resistência para conter os zumbis sendo ela em boa parte aniquilada no processo devido à grande quantidade de zumbis (mostrado na abertura do game). Em meio ao surto inicial,mercenários da própria Umbrella que estavam na cidade também agiram e foram mortos combatendo tais criaturas (a unidade mercenária da Umbrella foi criada para evitar terrorismo e sequestro de figurões da gigante farmacêutica e tinham a prioridade de auxiliar na evacuação de membros da mesma de Racoon City, alem da missão secundaria de ajudar sobreviventes). Ambas forças acabaram dizimadas e Jill, com sua investigação arruinada busca escapar de Racoon City o mais rápido possível.

Enquanto no primeiro jogo Jill ainda por inexperiência era tímida no combate de armas biológicas aqui a garota já se mostrava uma garota dura na queda, se tornando um ícone do “girl power” no mundo dos games. fonte: Resident Evil wikia

O terceiro jogo expande ainda mais os detalhes do holocausto de zumbis de Racoon City, e por sua vez expande também sua exploração, enquanto no primeiro jogo éramos confinados à uma mansão e no segundo houve uma expansão disso com esgotos, a delegacia de policia e o laboratório da Umbrella, o terceiro jogo te colocava por varias áreas da própria cidade, nas ruas e becos mesmo, similar ao pequeno inicio do próprio Resident Evil 2, ainda sim, alguns cenários do próprio Resident Evil 2 são vistos como a delegacia de policia (onde inclusive encontramos Marvin, o policial de RE2 desacordado por conta de sua infecção) onde uma pequena parte do jogo se desenrola e onde algumas portas estão com barricadas devido a diferença de dois dias em relação a chegada de Claire e Leon ao local. Alem da memorável delegacia explorávamos outras localizações como um hospital, um posto de gasolina, uma torre de relógio, vários cartões postais da cidade, localizações mais diversas que a dos games anteriores, isso tornava o jogo de certa forma menos cansativo em especial por ele conter menos backtracking que o segundo jogo (ou no minimo ele mascara bem o seu backtracking com a variedade de cenários).

As ruas devastadas de Racoon City são certamente o cenário mais famoso e emblemático de toda a a saga, seguido pela sinistra mansão do primeiro RE. fonte: gamefaqs e wallpaper cave.

RE 3 funciona de forma similar a seus predecessores com os controles de tanque do personagem, com o uso de armas, da coleta e gerenciamento de itens de cura e de munição e com respeito aos puzzles, que aqui são tão inventivos e criativos como os dos dois primeiros games. Diferentemente deles, onde possuíamos dois protagonistas (Jill e Chris no primeiro; Claire e Leon no segundo) aqui temos apenas Jill como protagonista jogável, alem de um personagem de suporte controlado em parte do jogo, no caso Carlos um dos mercenários da Umbrella que busca escapar com possíveis sobreviventes da cidade e do qual falaremos mais adiante. Tendo um gameplay mais voltado para a ação que seu predecessor Jill ganhou alguns movimentos novos para auxilio do jogador, como uma virada rápida de 180° que podia ser realizada  para evitar ser pego desprevenido, Jill também podia se esquivar de alguns dos ataques inimigos e até empurrá-los impedindo de ser atacada pelos mesmos, alem de em dadas partes poder pressionar os botões de ação para se livrar de alguns inimigos que agarram o jogador, buscando evitar parte do dano causado por eles, a movimentação em geral foi melhorada com essas novidades e até mesmo com uma movimentação mais trabalhada acerca das escadas, onde nos jogos anteriores os degraus funcionavam como uma seção automática atravessada ao apertar de um botão, aqui o jogador se locomove por elas da mesma forma que o resto do cenário, só que inimigos também podem se mover livremente através dela, estes alias,  em boa parte estão mais espertos para equilibrar o nível de desafio, alem das já citadas novidades, há também explosivos presentes em áreas do jogo como barris ou dinamites, alocadas em paredes, bastando um tiro para os mesmos explodirem deixando inimigos em pedaços, mas que podem também ferir o jogador. Uma das novidades mais originais aqui são as seções de Live Selection, onde nos encontramos em uma situação alarmante e o jogador tem um tempo para escolher dentre duas opções, tal escolha causa mudanças, como a coleta ou não de um item, a eliminação de uma ameaça, a mudança de cenário por onde o jogador deverá seguir, e até mudanças secundarias como a aparição ou não de itens ou de determinados confrontos. O progresso, alias, varia bastante conforme estas opções e conforme suas próprias escolhas de caminhos, fazendo com que dois jogadores iniciantes dificilmente tenham uma experiencia completamente idêntica ao zerar o jogo. Para completar as novidades há ainda a possibilidade de se fazer munição a partir de pólvoras encontradas no game, temos 3 ao todo, A, B e C, que geram com auxilio de uma ferramenta munições de handgun, shotgun e grenade launcher respectivamente, mas diferentes combinações podem gerar diferentes tipos de munição para o grenade launcher, ou ainda para a magnum, mas alem disso após sucessivas criações de munições de handgun e shotgun a habilidade de Jill aumenta possibilitando criar mais munição a partir da pólvora até dado ponto em que a mesma passara a criar uma munição reforçada de ambas as armas, muito mais poderosa que a munição convencional.

O sistema de esquiva apesar de extremamente útil não é la muito fácil de ser utilizado intencionalmente pela sua combinação milimetrada de botões, é mais utilizado ocasionalmente salvando a pele do jogador. fonte: lparchive.org

Em sua exploração pela cidade, Jill vai topar com alguns sobreviventes, como uma equipe de mercenários da Umbrella, o mencionado Carlos Oliveira, um jovem latino que acaba se sentindo atraído por Jill e que a auxilia durante o game de forma similar a Ada com Leon em RE 2, alem dos soviéticos Mikhail Victor e Nikolai Zinoviev, o primeiro um capitão ferido em combate que se encontra em repouso delirando pelos seus ferimentos, o terceiro um sargento deveras rude (e até um pouco misógino) que se vê obrigado a colaborar contra a sua vontade com Jill para escapar da cidade junto de seus homens, alem deles Jill ainda topa com Brad Vickers da STARS que esta em fuga de algo que o mesmo diz o estar perseguindo, desde o inicio do desastre, se em Resident Evil 2 tínhamos o agressivo William Birkin, vulgo “G” lhe atacando em determinadas partes do game e o stalker do Mr. X lhe perseguindo por determinadas salas, em Resident Evil 3 tínhamos algo muito mais aterrorizante e que unia elementos de ambos. Trata-se de Nemesis, o garoto propaganda do jogo, o perseguidor, o filha da puta que irá lhe atormentar o jogo INTEIRO, a criatura que aparece pela primeira vez para trucidar violentamente Brad em uma das CGs mais memoráveis da era Playstation é nada mais que uma monstruosa arma da Umbrella liberada na cidade para caçar os membros da STARS eliminando aqueles que podem conter informações para incrimina-la, e é logico quem mais ficar no caminho. Nemesis possuía uma aparência grotesca e inteligencia acima do normal podendo operar um lança foguetes feito sobre medida para ele, desviar de algumas armas de projéteis explosivos e correr atrás do jogador caso este tentasse correr dele, não apenas isso, caso o jogador tente entrar em outra sala para fugir dele o mesmo retornara para lhe caçar lhe perseguindo através das salas até ser colocado inconsciente, Nemesis possui um tentáculo com o qual o mesmo executa um instakill, além de uma resistência enorme, muitas armas sequer causam recuo no mesmo quando o acertam.

Nemesis era um perigoso Tyrant da Umbrella, o mesmo causava pesadelos em muita gente que conheceu o jogo e se tornou um dos vilões mais renomados dos games. fonte: Gamefaqs

Resident Evil 3 possui 11 armas ao todo, fora a handgun exclusiva dos mercenários que apesar de ser diferente da handgun de Jill é idêntica em função e gameplay, um caso diferente das pistolas de Claire e Leon no game anterior que possuíam quantidade de munições diferentes, alem das tipicas armas pistola, shotgun, faca, tínhamos como novidades uma handgun com mira e uma shotgun de cano serrado, exclusivas da dificuldade hard conseguidas após derrotar Nemesis 4 vezes conquistando as peças para fazer as mesmas, a primeira alem de mais rápida pode realizar headshots em zumbis, a segunda dispara tiros de shotgun muito mais rápido, apesar de poderosas as mesmas não podem utilizar a munição melhorada através da pólvora. Alem destas tínhamos também uma metralhadora rifle para Carlos (podia ser derrubada de Nemesis no hard ou já iniciávamos com ela no easy) que podia operar no modo manual ou automático disparando pequenas rajadas intervaladas ou uma rajada desenfreada de tiros alem de um lançador de minas explosivas que se alojam no alvo antes de detonar e de um novo tipo de munição para o lança-granadas, alem da normal, fogo e acido tínhamos agora a munição de gelo que causava grande dano e deixava inimigos mais lentos, alem da Gatling Gun do 2 e de um Rocket Launcher próprio como armas secretas. Dentre os inimigos alem dos clássicos zumbis, cães e corvos, inimigos já presentes em games anteriores há algumas ameaças novas como os Drain Deimos e Brain Suckers, criaturas similares nascidas de parasitas de sangue de infectados, as mesmas são seres resistentes capazes de grudar em suas vitimas para sugar seu sangue, os Brain Suckers são piores ainda pois conseguem cuspir veneno, os Hunters retornam em sua versão β (beta) causando novas dores de cabeça ao jogador (em RE 2 não tínhamos Hunters, tínhamos Lickers no lugar) além de uma nova e aterrorizante versão dos hunters: Hunter γ (gama), que são similares a sapos e em vez de decapitarem suas vitimas, as engolem inteiro como forma de finalização. Não menos importante são os Sliding Worms, minhocas do tamanho de cobras que agem como sangue-sugas e que são expoentes da segunda pior ameaça depois de Nemesis, trata-se de Grave Digger; um verme gigante capaz de devorar vitimas inteiras que também irá lhe atormentar e causar tremores em dadas partes da cidade.

Carlos apesar de ser um personagem apagado dentro do lore da saga, tem sua parcela de fãs, principalmente os brasileiros por conta de sua personalidade descontraída e xavequeira, inclusive o mesmo é da America do Sul o que faz muitos fãs o terem como brasileiro (ainda que haja algumas evidencias maiores de que o mesmo é porto-riquenho) . fonte: Resident Evil Wikia

Graficamente, o jogo supera o predecessor com poucas melhorias (RE2 já estava quase que no pico gráfico do console), visualmente jogo é praticamente o mesmo usando inclusive a mesma engine gráfica do game anterior com respeito a cenários e alguns inimigos, ainda que haja uma variação bem maior de zumbis do que o 2, mas o destaque aqui fica para  a movimentação mais ágil e orgânica de alguns modelos, de inimigos a personagens e principalmente as CGs, estas sim bem superiores as de RE2 que já eram impressivas para sua época; as CGs de RE 3 juntos das impressivas CGs da Square Enix em seus RPGs eram o pináculo visual nos jogos da época sendo inclusive utilizadas como propaganda para as vendas do PS1. Sonoramente RE 2 já tinha um voice acting e trilhas sonoras incrivelmente decentes, felizmente musicas tão marcantes quanto as de seu predecessor fazem parte da trilha sonora de RE 3 como “Cold Sweat”, “Unstoppable Nemesis”, “Free From Fear” e é claro “Nemesis’ Theme” a musica de combate contra o monstro.

CGs impressionantes, a gente vê por aqui. fonte: Gamefaqs

RE3 contava ainda com seus segredos. Além das armas que podiam ser liberadas,tínhamos um modo secreto a la 4th Survivor/Tofu Survivor de RE2 que era o modo Mercenaries,onde jogávamos com um dos três mercenários da Umbrella, em um trajeto limitado com poucas armas com o objetivo de chegar a um determinado ponto dentro de um tempo limite antes de morrer, e embora seja irrelevante para o plot, coisa que não ocorria com o modo de Hunk em RE2 que faz parte do canon, o modo tem como função liberar armas secretas. Através de repetidas partidas desse modo o jogador acumula pontos que servem como dinheiro para comprar armas secretas com munição infinita que são utilizadas no jogo principal, tais pontos vem ao matar inimigos ou ao concluir o modo e você os conquista mesmo morrendo na missão. Alem dessa novidade tínhamos também roupas secretas e os epílogos, 8 imagens com informação do paradeiro de 8 sobreviventes da trilogia do PS1 linkando muito deles com o destino que veríamos nos próximos jogos obtidos ao se zerar no nível hard repetidas vezes. Apesar de suas novidades extremamente bem recebidas como a movimentação mais inteligente e dinâmica de seus protagonistas em prol do combate e dos explosivos no cenário RE3 fica um pouco atras de RE2 no aspecto de gameplay, mesmo com sua jogabilidade melhorada ele trouxe pouquíssimas novidades e evolução se comparado a evolução de RE2 para o primeiro RE que possuíam 2 anos de diferença; enquanto RE 3 e 2 possuem quase 2 anos de diferença no lançamento e RE 3 ainda por cima foi desenvolvido simultaneamente ao 2. Ainda sim em defesa de RE 3 o 2 já era um jogo próximo ao pico tecnológico do console, RE 3 tira leite de pedra ao refinar o gameplay em prol de maiores novidades. RE 3 possuía também uma campanha mais curta se comparada a campanha duplicada do 2, mas possuía um fator replay maior devido aos já mencionados epílogos.

O modo Mercenaries é essencialmente uma mistura entre o modo do Hunk e o Extreme Battle, e veio a gerar vários sucessores em games posteriores. fonte: Resident Evil Wikia

Entre prós e contras,RE 3 é querido por muitos como o melhor jogo da série, posto que disputa lado a lado com RE 2 e RE 4 para muitos fãs, um jogo obrigatório para os fãs da saga e donos de Playstation.


PRÓS: Jogabilidade refinada com novos movimentos e elementos de cenário, sistema de produção de munição, exploração da cidade de Racoon City, as CGs, o modo Mercenaries e a assustadora presença de Nemesis.

CONTRAS: Poucas novidades se comparado com Resident Evil 2.

Resident Evil 3

Desenvolvedor: Capcom

Publicadora: Capcom

Lançamento: 1999

Plataforma: Playstation, Windows, Dreamcast e Game Cube.

Gênero: Ação e aventura (Survival Horror)

NOTA FINAL: 9.6


Esse texto foi originalmente publicado no site Alvanista no perfil thecriticgames

Compartilhe!

Post Author: O Critico

Aspirante a escritor, investidor e criador de gado. ​"Minha vida se resume a jogar tudo que existe de bom antes da morte..." Me procure no Alvanista http://alvanista.com/thecriticgames

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *